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A pré-faculdade (1).
A memória mais antiga que guardo de minha vida estudantil é a do meu primeiro dia de aula no maternal. Chorei muito. Rsss
No primário (estudei na Escola Municipal João Goulart), eu voltaria a chorar bastante. Minha mãe, sempre atrasada para me buscar, me fazia acreditar vez ou outra que não me buscaria. Eram tardes complicadas... Isso associado ao fato de eu começar a usar óculos - fator de exclusão social, sem dúvidas - fez com que meus primeiros anos em instituições de ensino não fossem muito felizes.
O ginásio (que cursei no Colégio Pedro II) seguiu pelo mesmo rumo, mas eu comecei a ter amigos mais íntimos, o que me deu um apoio bem bacana e me fez enxergar os "estudos" com outros olhos.
O ensino médio, cursado no mesmo colégio, foi o grande momento das dúvidas. Além das já próprias à idade, ainda me restava o grande dilema: "tentar vestibular para qual curso?". Pensei em um pouco de tudo, desde Engenharia Mecatrônica até Psicologia. No fim, embora isso fosse contra a meu gosto por trabalhar com lógica e com raciocínios matemáticos, optei por Letras Português/Japonês. Esta decisão teve diversos azos, como uma descendência longínqua, o pré-conhecimento dessa língua estrangeira, o interesse por lingüística...
Estou bastante satisfeito com o curso de Letras, embora vez ou outra tenha necessidade de calcular algo (rsss), mas a minha satisfação com o presente é equivalente à minha decepção com minha vida escolar. Tirando o básico, que realmente é necessário, sinto que aprendi muitas coisas que nunca mais lembrei ou precisei lembrar e tantas outras que eu aprendi única e exclusivamente para fazer os vestibulares.
Esses ensinamentos que se destinam a um único dia de prova me deixam com um pé atrás em relação à educação brasileira. Até onde sei, vestibular ocorre em todo canto do mundo, mas não é por isso que as escolas e colégios têm que se limitar a isso. No Japão, por exemplo, há aulas de culinária e economia doméstica, disciplinas que não são cobradas em vestibular, mas que podem se revelar muito mais úteis na prática do que matemática ou física avançadas. Pois acredito disciplinas como essas é que preparem os estudantes para a vida, que não se resume a uma simples prova.
Sou muito grato ao Pedro II pelas aulas de artes, música, latim... :)
No próximo post eu continuo o papo contando algumas lembranças da minha vida pré-faculdade. Até lá!
Um comentário:
Nossa, deve ter sido estranho estudar na sua infância. :p Mas que bom que depois tudo se encaminhou e passou a ter uma relação melhor com a escola. E concordo com o lance da educação brasileira. É muito preparo pra vestibular, o que faz os estudantes quererem se afastar do ensino chato e maçante. Faltava aqui aulas para vida, como ensinar a lidar com dinheiro, com coisas do lar, e também, como nas escolas japonesas, colocar os alunos para limparem as salas, o que provavelmente poderia incentivar o povo brasileiro a ser menos porco desde criança. As ruas agradeceriam. :p
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